“O que é melhor: Nascer bom ou superar sua natureza maligna através de grande esforço?”
Eu estava analisando alguns ativos do forex de madrugada. Não estava operando nada, apenas analisando, mapeando e fazendo projeções enquanto alguns vídeos aleatórios Youtube rodavam ao fundo. Foi um mês difícil. Todas as operações que peguei nas semanas anteriores retornaram em prejuízo, miss ou break even. Passei alguns dias sem operar, noutros acordei mais tarde. Sabemos como esse ciclo funciona; depois de várias pancadas seguidas, ficamos até acanhados de colocar novas ordens no mercado e expor nosso capital; o medo toma conta e aos poucos vamos perdendo a confiança no operacional. A sensação é de que desaprendemos a operar, voltamos ao início, mesmo já passando por tanto.
Estava perdido, mas continuei fazendo o que eu podia. Naquele dia decidi voltar ao campo de batalha e retomar de onde havia parado, corrigindo o que podia ser corrigido no meu operacional, pois acreditava que o problema estava ali. De repente, um vídeo específico iniciou:
Foi aqui que eu tive um estalo, como naqueles momentos em que parecemos acessar uma compreensão profunda de algum padrão subjacente aos mecanismos já apreendidos, e, num segundo, tudo parece fazer sentido, mesmo que ainda não consigamos colocar em palavras esse sentido. O que é mais engraçado é que não lembro de ter selecionado o vídeo, ele simplesmente começou a rodar. Interpreto isso como resposta às minhas orações por direção e discernimento. Nesse momento, entendi o que Deus queria de mim. Era como se Ele dissesse claramente: “Não, Eu não quero que você vá a lugar algum e também não permitirei que avance. Eu o isolei para que me ouvisse e se reconstruísse. Precisei tirar-te o dom que te dei para que entendesses isto.”
“Clamei a ti também na adversidade, e igualmente não me atendeste, não para que me tornasse um estulto, mas, pelo contrário, para que entendesse pelo quê queres que eu clame; não pelas palavras dos pecados pelos desejos da vida transitória, mas pelas palavras de conversão a ti na vida eterna.”
(“Ad te clamavi etiam in adversitate nec me exaudisti tamen, non ut fierem stultus, sed ut intelligerem quid orare me oportet; non verbis vitae mundanae peccatorum sed verbis conversionis ad te in vita aeterna.”)
Agostinho
O meu problema não era o meu operacional. Nunca foi. Embora não fosse — e não seja até hoje — perfeito, ele era consistente e me trazia bons resultados. Por que precisaria mudar? O ponto que não estava enxergando era este: desde o começo da minha jornada no trading Deus veio me preparando e me guiando, mesmo nos momentos em que me afastei dele, para um projeto específico. As minhas escolhas, as renúnicas e sacrifícios que tive de fazer ao longo do caminho, no fundo, refletem mais esse projeto do que o meu próprio: me transformar em alguém mais capaz de ouvir a voz de Deus. Estive trilhando o caminho do peregrino mesmo sem saber. Entendi que os sacrifícios que tive e tenho que fazer para ser bem sucedido no trading são em grande parte os mesmos que devo fazer para viver uma vida que agrada a Deus. O problema era o objetivo.
Este é um ponto que, creio, todos que estão, em algum nível, imersos nesse mercado entendem: um bom trader é alguém que se conhece incrivelmente bem; é alguém capaz não apenas de compreender e lidar com seus estados emocionais, mas também de antecipá-los e até evitá-los, de modo a sempre proteger seu capital. Era neste ponto que eu estava falhando. Eu não me conhecia, não plenamente. Sabia relativamente bem quem eu não era e o que eu não queria para a minha vida, mas não quem eu realmente era e o que deveria defender. Me vi pela primeira vez como um “homem de mentira”.
“[…] Acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto. […]”
Legião Urbana, Teatro dos Vampiros
Esse pensamento me atormentou. Não consegui me livrar dele sem compreender melhor a situação em que me enfiei e o que precisava fazer para sair dela. Embora não tivesse desejos puramente maus, também nunca desejei viver uma vida que agradasse a Deus. Não sabia o que fazer para começar uma. Foi aí que tomei uma decisão radical, talvez a mais inusitada de toda a minha vida: decidi não fazer nada. Em vez de teorizar e caçar explicações, decidi simplesmente deixar que Deus guiasse meus próximos passos e decidir de acordo com a vontade Dele o que era melhor para mim. Eu, que sempre precisei ter controle sobre a minha vida para me sentir seguro, agora dependente da vontade Dele. Não voltei atrás na decisão, permaneci firme, mesmo incerto, mas ainda precisava entender o que precisava fazer para deixar de ser um homem de mentira. Portanto deveria começar por entender o que é ser um.
Um “homem de mentira” é, em essência, alguém que vive afastado da Verdade, tanto em suas palavras quanto em seus valores e ações. Ele é aquele que, consciente ou inconscientemente, constrói sua vida sobre fundamentos incertos, mascarando a realidade com ilusões que lhe são confortáveis, mas que não correspondem à verdade do ser ou do mundo. Esse homem está em contínuo engano, começando por si mesmo. Ele mente não apenas aos outros, mas também a si próprio, convencendo-se de que o que é falso pode ser tomado como verdadeiro se for mais conveniente ou agradável. Ele constrói uma identidade baseada em aparências, em vaidade e naquilo que agrada seu amor-próprio. Em última análise, o “homem de mentira” é um homem que se distancia daquilo que ele foi criado para ser e torna-se prisioneiro de suas próprias ficções.
Essas ficções são necessárias para preservar todo um mundo mental que este homem de mentira criou para si mesmo. É um reflexo natural de nossa natureza, pois sabemos que o ser humano é um bicho complexo, e são infinitas as situações em que ele é capaz de se enfiar, no entanto há sempre um aspecto que subjaz todos os contextos, intenções e processos: o princípio de autopreservação. De todos os animais que conhecemos, o ser humano é certamente o mais vaidoso e narcisista, capaz das ações mais mesquinhas em troca de algum lucro, reconhecimento ou prazer insignificante. De fato, se considerarmos o ser humano como um composto de corpo e alma, o instinto de autopreservação parece naturalmente inclinado a proteger a integridade do corpo, visto que este é o meio através do qual experimentamos o mundo e nos relacionamos com os outros. Esse instinto é, portanto, uma manifestação da vida, uma resposta natural à ameaça da morte, que é percebida como uma negação dessa vida.
No entanto a vaidade e o narcisismo que emergem desse instinto vão além da simples autopreservação física. Eles se tornam uma afirmação de si mesmo, uma busca por um tipo de imortalidade ou permanência no mundo material. O medo da morte, nesse sentido, não é apenas o medo da cessação da existência física, mas o medo de perder a identidade, a individualidade, e de desaparecer sem deixar um rastro. A vaidade, então, pode ser vista como uma tentativa de transcender a mortalidade através da busca de reconhecimento, poder, e legado — como se, ao nos afirmarmos diante do mundo, pudéssemos de algum modo vencer a morte.
Mas aqui se revela uma contradição: somos seres espirituais, e nossa verdadeira essência não está no corpo, mas na alma. Sabemos que o corpo é transitório, e que, eventualmente, ele se desintegrará, retornando ao pó. Contudo, mesmo assim, a humanidade, de maneira geral, tende a investir seus esforços na preservação do que é efêmero, ignorando muitas vezes aquilo que é eterno — a alma e sua relação com Deus.
No cristianismo, a individualidade humana é vista como criação de Deus, feita à Sua Imagem e semelhança, e o pecado é visto como a corrupção dessa Imagem, um distorção da verdadeira natureza humana, que é, portanto, essencialmente boa e reflete a divindade. Nesse sentido, o esforço para alinhar-se aos valores cristãos e o desafio de seguí-los consistentemente representa uma busca pela reconciliação com essa Imagem e a dificuldade imposta pela nossa condição pecaminosa, ecoando a ideia agostiniana de que, ao nos aproximarmos de Deus, nos aproximamos da nossa verdadeira identidade, como se o que entendemos por nosso “eu” individual fosse apenas um aspecto superficial de algo mais fundamental.
Aqui também fica evidente que, embora a ordem original seja sempre sublinhada à nossa natureza, a tendência natural é que estejamos em desacordo com ela. Daí a necessidade de buscar a Deus. Nesse ponto introduzo o questionamento feito por Paarthunax ao Dovahkiin, em Skyrim, com o qual abri este ensaio:
“O que é melhor: Nascer bom ou superar sua natureza maligna através de grande esforço?”
Claro, devemos ter em mente que Skyrim e nosso universo, embora haja vários pontos intersectantes, são radicalmente diversos. A principal diferença está na inexistência de uma natureza intrinsecamente má, que representa aqui um furo na própria pergunta de Paarthunax. Pois pensar uma natureza má dentro do contexto do cristianismo é uma impossibilidade teórica.
Uma das principais teses contra a “natureza má” é a doutrina do privatio boni (privação do bem), defendida por Agostinho, segundo a qual o mal não seria uma substância ou uma força individual, mas a ausência ou a privação do bem. Assim como a escuridão não é uma entidade em si, mas a ausência de luz, o mal é visto como a ausência do bem. Isso implica que tudo o que foi criado por Deus é bom, porque foi criado por Ele, e o mal surge apenas quando há uma falta, uma distorção ou uma corrupção do Bem original.
No relato da Criação, no Gênesis, tudo o que Deus cria é declarado “bom”. Isso inclui o ser humano, que é criado à Sua imagem e semelhança. A natureza humana, portanto, é intrinsecamente boa porque reflete essa origem divina. Mesmo após a queda, a bondade proveniente da Imagem não é anulada, apenas distorcida. O mal, portanto, não pode ser uma “natureza” em si, pois, se houvesse uma natureza intrinsecamente má, isso criaria um dualismo ontológico, onde o mal seria um princípio coeterno e coigual ao bem, incompatível portanto com a crença em um Deus único, onipotente e fundamentalmente bom. O monoteísmo cristão sustenta que apenas Deus é a fonte de toda existência e bondade, e que o mal é, portanto, uma distorção ou desordem dentro de uma criação que é essencialmente boa.
Portanto, nossa discussão sobre Bem e mal sempre circundará o conceito de livre-arbítrio. O mal nunca é imputado a alguém, como única conduta possível, mas surge devido a um mal uso da liberdade oferecida por Deus; uma escolha individual e egoísta contra a ordem divina. No entanto, a pergunta de Paarthunax não é de todo errada, pois embora a essência humana seja, como vimos, intrinsecamente boa, ela é manchada pelo pecado, e dele não pode se livrar por conta própria. Num certo sentido, o pecado pode ser compreendido como uma segunda natureza, não estrita, mas pela corrupção da original. Esse uso do termo “segunda natureza” é mais metafórico, claro, pois retrata a inclinação ao mal que se enraízou na pessoa. Isso é o que chamamos concupisciência, uma espécie de inclinação natural ao pecado. Embora não sejamos naturalmente maus, somos naturalmente inclinados ao mal.
“E eu sei que em mim, isto é, em minha natureza humana, não há nada de bom, pois quero fazer o que é certo, mas não consigo. Quero fazer o bem, mas não o faço. Não quero fazer o que é errado, mas, ainda assim, o faço. Então, se faço o que não quero, na verdade não sou eu quem o faz, mas o pecado que habita em mim.”
Romanos 7:18–19
Portanto, compreendemos que não existe natureza maligna, apenas uma falsa natureza, relacionada à preservação do corpo e à afirmação da vida sobre a morte, que nos tomamos como natural, que não nos torna naturalmente maus, mas naturalmente inclinados ao mal. Também compreendemos que o mal surge como corrupção da Imagem, que representa um desvio em relação ao nosso propósito original. Isso é o que significa o “mal uso do livre arbítrio”. No entanto, também compreendemos (na parte I do ensaio) que não existem no homem desejos maus, apenas o desejo de preservar aquilo que ele considera seu bem — e voltamos a falar sobre sua finitude.
“Portanto, se o homem nunca fora corrompido, ele se regozijaria da pureza, da Verdade e da felicidade com segurança; e se o homem nunca fora senão corrompido, ele não possuiria nenhuma ideia de Verdade nem de Beleza. Mas, infelizes que somos, e mais do que se não houvesse grandeza em nossa condição, nós temos uma ideia de felicidade que não podemos alcançar, temos uma imagem da Verdade, mas possuímos somente mentiras e engano; assim, incapazes de ignorar absolutamente e de conhecer com segurança, é manifesto que estivemos numa ordem superior de perfeição da qual infelizmente caímos.”
(“Car enfin, si l’homme n’avait jamais été corrompu, il jouirait dans son innocence et de la vérité et de la félicité avec assurance. Et si l’homme n’avait jamais été que corrompu, il n’aurait aucune idée ni de la vérité, ni de la béatitude. Mais, malheureux que nous sommes, et plus que s’il n’y avait point de grandeur dans notre condition, nous avons une idée du bonheur et ne pouvons y arriver, nous sentons une image de la vérité et ne possédons que le mensonge, incapables d’ignorer absolutamente e de saber certamente, tant il est manifeste que nous avons été dans un degré de perfection dont nous sommes malheureusement déchus.”)
Pascal, Pensamentos
Esse desejo de autopreservação, então, pode ser visto como uma distorção de um desejo mais profundo: o desejo de eternidade. Mas ao invés de buscá-la em Deus, muitos a buscam no mundo, no que é finito e transitório. A verdadeira resposta ao medo da morte, segundo a visão cristã, não está na vaidade ou na tentativa de se afirmar no mundo, mas na entrega de si mesmo a Deus, na confiança de que, embora o corpo pereça, a alma pode encontrar vida eterna em Deus.
Portanto, a vaidade humana, por mais natural que possa parecer, é, na realidade, uma manifestação da desordem introduzida pelo pecado, uma tentativa de buscar no mundo o que só pode ser encontrado em Deus. E o reconhecimento dessa desordem é o primeiro passo para a verdadeira sabedoria, que consiste em reordenar nossos desejos, direcionando-os para o bem supremo que é Deus.
Assim, podemos dar uma resposta conclusiva ao questionamento deixado no primeiro post da série
“Pode um homem de mentira conhecer a Verdade?”
Olavo de Carvalho
A minha resposta é esta: um homem de mentira é incapaz de conhecer a Verdade, pois ele vive em falsidade, seja em relação à sua identidade, suas ações, ou à realidade ao seu redor. Ele mente para si mesmo, enganando seu coração e a sua mente, buscando justificativas para seus atos e construindo uma vida sobre fundamentos instáveis. O homem, enquanto permanece na mentira, está em trevas, afastado da Luz que é a Verdade. Sua percepção é obscurecida, seu entendimento é deturpado. Não é por acaso que o coração humano é chamado de enganoso acima de todas as coisas. Entretanto, acredito que a Verdade, por sua própria natureza, tem um poder redentor. Mesmo um homem mergulhado na mentira não está fora do alcance da Verdade, pois ela é transcendente e, em última análise, é Deus. Quando esse homem é confrontado com Jesus, a própria Verdade encarnada, ele se depara com a verdadeira natureza de Deus e a ordem imanente à realidade. A presença de Jesus revela as mentiras e ilusões nas quais o homem tem vivido, com as quais tem enganado a si mesmo. Essa revelação é muitas vezes dolorosa, pois exige um reconhecimento das próprias falhas e uma renúncia às falsas seguranças que o homem construiu para si mesmo num esforço para manter vivas suas ilusões.
Para que o “homem de mentira” conheça a Verdade, ele deve entrar no “caminho”, que é Jesus. Este caminho não é apenas uma estrada a ser seguida, mas um processo de transformação que envolve a morte do “eu” antigo e a renovação da mente e do espírito. Ao seguir Jesus, o homem de mentira abandona a falsidade, sua falsa natureza, e se rende à Verdade, sendo transformado pela graça de Deus.
Jesus afirma que “ninguém vem ao Pai a não ser por mim.” Isso significa que o “homem de mentira” não pode alcançar a comunhão com Deus enquanto permanece na falsidade. A verdade é o que purifica e transforma o homem, permitindo-lhe acessar o Pai. Sem passar por essa transformação, o homem permanece separado de Deus, pois Deus é Verdade e não pode ser encontrado na mentira.
Isto está em conformidade com que lemos no livro de Mateus:
A confissão de Pedro (Mc 8.27‑30; Lc 9.18‑21)
Quando Jesus chegou à região de Cesareia de Filipe, perguntou aos seus discípulos:
― Quem o povo diz que é o Filho do homem?
Eles responderam:
― Alguns dizem que és João Batista; outros, Elias; ainda outros, Jeremias ou um dos profetas.
― E vocês, quem dizem que eu sou? — perguntou.
Simão Pedro respondeu:
― Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.
Jesus respondeu:
― Bem-aventurado és tu, Simão, filho de Jonas! Porque isso não foi revelado a você por carne ou sangue, mas por meu Pai, que está nos céus. 18. E eu digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não poderão vencê‑la. 19. Eu darei a você as chaves do reino dos céus; tudo o que você ligar na terra terá sido ligado nos céus, e o que você desligar na terra terá sido desligado nos céus.
O que significa que quem dizemos que Jesus é refletirá diretamente em quem Ele diz que nós somos.
Portanto, a redenção através de Cristo é a restauração da Imagem original, a cura dessa corrupção. Se o mal fosse uma natureza própria, a redenção seria impossível, pois seria necessário destruir a natureza má. Contudo, como o mal é uma corrupção do bem, a redenção é possível, e o ser humano pode ser restaurado à sua verdadeira natureza pela Graça de Deus. Através de sua morte e ressurreição, Cristo oferece uma nova aliança, na qual a humanidade pode ser reconciliada com Deus. Essa reconciliação não é apenas um perdão dos pecados, mas uma renovação e restauração da natureza humana. Em outras palavras, Cristo não apenas remove a culpa do pecado, mas também capacita a pessoa a viver em conformidade com a Imagem de Deus.
Nossa verdadeira identidade só se revela conforme a Imagem for restaurada através da intervenção de Cristo. Nossa verdadeira identidade só é encontrada em conformidade com Cristo. A única forma de conhecer a Verdade é sendo um homem de verdade.
Portanto o ato de superar nossa “natureza maligna”, por mais árduo que seja, não é apenas desejável, mas necessário pois somente assim podemos integrar uma vida que agrada a Deus e, nesse esforço, sustentado pela graça divina, é que nos conformamos à Imagem de Cristo e nos aproximamos de nosso verdadeiro propósito: a vida eterna com Deus.
“Inclina cor meum ad revelationem tuam… ut toto corde eam sequar.”
Mais do que sucesso, fartura ou qualquer valor humano, entendo que devemos buscar agir de acordo com a virtude cristã — “e todo o resto lhe será acrescentado”. O que não significa, é claro, que devamos renunciar a todos os bens materias e viver em completo negligência em relação ao corpo. Isso para mim significa efetivamente viver uma vida de verdade, ser um homem ou mulher de verdade. No fundo, toda a caminhada é sobre as mudanças que acontecem em nós mesmos, e como Deus usa esses contextos para nos levar para mais perto Dele.
Este texto completa o raciocínio iniciado na primeira parte desta série. Gostaria de ter postado este texto mais cedo, e gostaria de dizer que o estive preparando por todos esses meses, refinando-o e corrigindo-o conforme necessário, mas a verdade é que não sabia como iniciá-lo nem terminá-lo, de modo que fui deixando de lado, até que ontem tive uma epifania e escrevi-o todo numa única pegada. A série continuará, mas desejo explorar outros temas, e precisava que este fosse finalizado.
Até a próxima.